Tecnologia a nosso serviço

Tenho dito em minhas palestras que me julgo uma pessoa de sorte, afinal, não é sempre que se tem a oportunidade de atravessar de um milênio para o outro, justamente em franco exercício da profissão.

Falando especificamente da passagem do segundo para o terceiro milênio, a satisfação fica ainda maior, pois estamos diante de uma absurda evolução da tecnologia, do surgimento de novos rumos e tendências, novas cadeiras acadêmicas, cursos e uma velocidade jamais percebida no que tange à comunicação.

Estar no século XXI significa contrariar previsões que garantiam que o mundo acabaria ou que estaríamos a bordo de naves espaciais e com robôs à nossa disposição até mesmo para apanhar cerveja gelada no refrigerador, se é que ainda existiria esse eletrodoméstico para os defensores dessa tese.

Graças a Deus, somos testemunhas que o mundo não acabou, mas que ainda falta muito para gozarmos da assistência de tamanha tecnologia.

Ao contrário de tudo isso, quando falamos do mercado de trabalho, percebemos que o que mais se necessita é de um perfil profissional baseado muito mais em valores humanos.

Interessante não é mesmo? Com tanta ferramenta à nossa disposição, parece que deixamos de evoluir características intrínsecas como capacidade de se relacionar, flexibilidade, discernimento, altruísmo, criatividade, mobilidade, agilidade nas decisões, percepção, cordialidade, atenção, respeito, entre outras tantas.

Ou seja, mesmo com tantos “doutores”, infelizmente, ainda é flagrante a precariedade da comunicação nas empresas, entre seus colaboradores, com superiores, clientes, fornecedores e delas com o mercado.

Seria fruto de uma geração que tem se acomodado diante dos aparelhos eletrônicos, computadores, MP3, 4, 5, 7, IPOD, não pode, PALM TOPS, LAPTOPS, outros tops, enfim, tudo que funciona praticamente sozinho?

Logicamente não sou um saudosista inveterado, incapaz de aceitar a modernidade, mesmo tendo resistido um pouco em substituir o vinil pelo CD. Aliás, sou um consumidor da tecnologia até mesmo porque dependemos dela e é inegável o quanto nos auxilia.

Quero apenas propor um olhar mais atento ao que estamos nos transformando, de alguma forma, perdendo campo e o contato com particularidades que nascem conosco e as deixamos de lado, na busca frenética por aprimoramento e nos sentirmos incluídos na geração Hi tech.

Por isso, valorizo essa campanha em busca do profissional que seja capaz de dominar ou pelo menos ter um bom conhecimento da tecnologia, mas que não abra mão de valores tão importantes em nossas vidas.

Tenham a certeza de que esse perfil do Profissional do Terceiro Milênio vai se tornar cada vez mais latente e necessário, objeto de consumo de empresas desde as menores até as multinacionais, desde que estejam realmente preocupadas em se manterem vivas nessa selva que é o mercado.